Nova Igreja Brasileira em Miami

Desde o dia 16 de novembro, a Igreja Presbiteriana de Key Biscayne passou a oferecer um culto em português para a comunidade brasileira da área de Miami.

Os cultos se iniciam às 19 horas dos domingos, e são realizados no tempo da tradicional igreja, que também oferece cultos em inglês e espanhol na parte da manhã.

Com amplas instalações e estacionamento, a igreja atende não somente a comunidade brasileira de Key Biscayne, mas também da área da Brickell, Coral Gables, Downtown Miami, South Beach, Miami Beach e Miami de modo geral.

O pastor encarregado do culto em português é Ezequias Abreu, com mais de 25 anos de experiência ministerial no Brasil, curso de mestrado na Holanda, além de diversos livros publicados.

Tel. 786-202-7982
160 Harbor Dr. Key Biscayne, FL

http://www.kbpc.org/pt-br/
http://igrejabrasileiraemmiami.blogspot.com
http://cultoemportuguesemmiami.blogspot.com

Data Venia

Já fui muito mais ingênuo do que hoje. O peso dos anos, e muita cabeçada, nos ajuda a identificar um 171 de longe, seja ele profissional ou diletante. 171 por esporte.

Há muitas razões pelas quais as pessoas mentem. Algumas vezes, por complexo de inferioridade.

Tinha um amigo que me contou uma estória – disse que tinha 25 diplomas universitários! Não estou brincando, 25! Só se a faculdade dele dava um diploma por disciplina. Como já era um tanto idoso, até dava para acreditar. Como ele era conhecido como “professor”, acho que usava este exagero para fortalecer a sua imagem de homem das letras.

Depois, tinha uma pessoa que se dizia jornalista, mas que na realidade, tinha diploma de direito. Será? Não sei. Só sei que a dita cuja adorava usar, em papel e em fala, a expressão “data venia”, provavelmente o único brocardo jurídico que conhecia, para enfatizar o seu background de bacharela. Pelo resto do que dizia, e suas noções um pouco cruas das coisas, duvido um pouco que era advogada formada.

Enfim, já encontrei tanta gente que diz ter duas ou mais faculdades, que com certeza, é difícil não se sentir inferior, eu e meu único curso…

Modeletes

Dá até dó. Olha que eu já tenho certa idade. Modelo, modelo mesmo, digo, maneca, daquela que ganha dinheiro com isso, frequentemente, só conheci uma na vida. E pretendentes a modelo, pencas e pencas.

É de ficar com dó mesmo. Basta a menina se achar um pouco bonitinha, e já quer tirar fotos, com bocas e caras, gastando fortunas com “books” e fotos, e algumas fazendo sabe-se o que para obter as fotos a uma preço mais camarada. A filha de uma conhecida, com um nariz quilométrico, chegou a por na cabeça que queria ser modelo. Ainda bem que já desistiu.

E alguns pais até sustentam o sonho. Afinal de contas, uma top pode faturar uma boa grana. Daí você vê aquelas fotos de adolescentes que se julgam material para a Elite e Ford, em dúzias e dúzias de perfis do Facebook – é de chorar ou rir. Alguém tem que dizer, minha filha, você não dá prá isso.

Eu mesmo, na minha época de solteiro, namorei duas que se diziam modelo. Uma tinha umas fotos horríveis em preto e branco, com poses questionáveis que julgava ser de maneca. Era bonita, só que seu sorriso não era colgate, meio amarelo. Não precisa dizer que não vingou.

A outra chegou a ter um book em ordem. Quer dizer, tinha uma folha com fotos, obviamente tiradas por profissional. Também sustentava o sonho de ser atriz. Na altura em que a conheci, já estava muito acima do peso, e de novo, não é preciso dizer que suas duas carreiras (atriz e modelo) não deram em nada.

Na próxima vez que uma adolescente “bunitinha” vier com a ideia de ser modelo, faça-lhe um favor. Diga que a grande maioria das modelos nunca ganha um centavo na carreira, até aquelas que trabalham, muitas vezes o fazem em regime de quase escravidão para as suas agências, e que tirar fotos nua para fazer um book é uma ideia prá lá de ruim. Mais cedo, mais tarde são publicadas.

A arte, ora a arte

Arte, hoje em dia, basicamente existe no nível comercial. A arte atual se tornou um produto de consumo, de massa, e o artista, uma marca. A arte hoje é “produto cultural”. A arte é premeditada visando o sucesso em si. Assim, o artista verdadeiro é geralmente o diletante. O artista profissional acaba sendo, na realidade, um artesão. Criou algo que fez sucesso um dia, passa o resto da vida fazendo a mesma coisa, como as mulheres rendeiras do Ceará. Haja visto Romero Britto, Andy Warhol, sem contar cineastas, cantores, escritores, atores, músicos, etc, etc. Quando acham a formula, acabou-se. Vira a sua assinatura, que na realidade, é uma outra palavra para “branding”. Assim ficam os Rolling Stones tocando os mesmos três acordes desafinados há 40 anos etc. Contratos e “compromissos” os forçam a continuar a repetir incessantemente as suas “obras” (“We sing the same old song with a few new lines, and everyone wants to hear them”, “New Song”, The Who, 1978) que viram artefatos.

Não existem mais os mecenas de antanhos. Os marchands, produtores, mentores e empresários de hoje não passam de sanguessugas que perpetuam o esquema. Por isso, o artista tem que correr atrás do pão, ou da batata que hoje é substancial para os vencedores (“Aos vencedores, as batatas”, Quincas Borba). Para os perdedores, as cascas. Por outro lado, a obcessão com o sucesso é extrema hoje em dia, em qualquer área de atuação, e as intenções não são mais “puras”. O futebolista não quer só marcar mil gols: quer um bolso cheio de dólares. Os “Da Vinci” de hoje querem as patentes no seu nome, dane-se o prazer de ver suas engenhocas funcionando e sendo usadas. Ciência, ora a ciência, o que contam são euros, ienes, nome no jornal e verbete no wikipedia e Lamborghini na garagem. Assim é com a arte também. O paradigma de qualidade, para as massas, é o sucesso quantificável, não a qualidade essencial, estética ou originalidade. Dom Quixote já morreu há muito tempo atrás, sobraram apenas os mercenários.

A grande “arte” de qualidade do mundo atual, suponho, está toda escondida, trancada a sete chaves. Quando se torna pública e massificada, já vem pasteurizada pelos “produtores culturais”. O que dá o gostinho de novidade, as bactérias artísticas, são mortas.

Por isso que digo que há vantagens na mediocridade à luz do mundo. O “medíocre” pode criar no seu ritmo, sem pressões, sem se preocupar se está agradando, desagradando, se o que faz segue padrões estéticos aceitáveis, se usa metodologias corretas, se o que faz é publicável, se muita gente vê, lê, concorda, discorda, até mesmo se a obra é concluída.

Ensaios

Até pouco tempo atrás, quando você dizia que o sujeito era um ensaísta, queria dizer que era uma sumidade, pessoa que dominava e escrevia bem sobre vários ou certos assuntos, em textos chamados ensaios. Os ensaios em jornais eram reservados para os grandes professores, ex-ministros, intelectuais da hora, filólogos de carteirinha e chatinhos de plantão.

Bem, hoje em dia o termo parece ter assumido definições, digamos, mais ginecológicas. As sumidades sumiram, e não só elas sumiram. Sumiram também as roupas dos objetos de ensaios. Saiu a saia. Saiu tudo!!!

Havia uma música muito boa, que concorreu em um festival da Globo chamado Abertura, em 1975, que dizia assim: “Foram pra São Paulo pra fazer dinheiro, tava na cara, ficaram nus.” Palavras proféticas, há 32 anos atrás.

Hoje basta a fulana ter alguma notoriedade, e pode virar assunto de “ensaios”. Ganhou o BBB? Ensaio nela. Perdeu o BBB? Dá-lhe ensaio. É atriz global? Ensaio na dita cuja. Era atriz da Globo? E-N-S-A-I-O. Quer ser atriz da Globo? Lógico, ensaio. É de outra emissora? Como não, a solução é um ensaio. “Meu negócio é teatro”. Que tal um ensaio? É juiza de futebol? Um bom ensaio não faz mal pra ninguém. Pivô de um escândalo político com senador? Nada que um ensaio não possa curar…Tudo é tema. Estudantes, dentistas, jornalistas, socialites, executivas, aeromoças, balconistas, camponesas, japonesas, garçonetes, vedetes, vagabundetes, modeletes…Esportiostas agora não tiram a roupa só no vestiário, basta acenar um dinheirim. Ensaio na moçada.

Estão ensaiando tanto pra que, me permita perguntar.